Apresentação

Tropicalizar-se é se abrir para diversidade e superar preconceitos. É se movimentar e estar em constante transformação. Abrir-se para o novo com o devido respeito ao passado e aos que nos antecederam. É se reinventar, transgredir! Misturar Miami com Copacabana, e por que não Nova Iorque com Havana? Chiclete com banana, samba com rock, ou funk com punk e, por que não?, fazer o boogie-woogie de pandeiro e violão, com um beat eletrônico produzido no Japão?!

É ser brega e ao mesmo tempo chique no banquete antropofágico para o qual não fomos convidados!

É ser sagrado e profano! Beber das divinas tetas da vaca profana para aguentar sair em procissão se arrastando que nem cobra pelo chão, com Jesus no firmamento, junto com Ogum e Xangô no coração e, sem entrar em contradição, gritar como Ariel em sua época de Inocentes, porém nada inocente, “Não, Não à religião”! ou oswaldianamente lembrar que  “Nunca fomos catequizados. Fizemos foi carnaval. Vivemos atrás de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará”*.

Tropicalizando-se surge com a proposta de ser um espaço para isso e muito mais! Para descolonizarmos os olhares, através de uma visão vinda dos trópicos, do mundo subdesenvolvido. “Queremos a Revolução Caraíba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos dos homens”*. Uma visão que rompa com os valores racistas, patriarcais, conservadores e capitalistas. Uma ruptura que se dará através da arte, da cultura, da educação e da política!

*trechos extraídos do “Manifesto Antropofágico” de Oswald de Andrade

Por Caio Uehbe


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