[Entrevista] “Orquidália”: Plantas pela casa, pelas avenidas, pela cidade e corações, trazendo força para (r)existir e alegria para celebrar

por Caio Uehbe

Foto: Silvia Carolina

“Sobre a cabeça os aviões. Sob os meus pés os caminhões. Aponta contra os chapadões meu nariz. Eu organizo o movimento. Eu oriento o carnaval. Eu inauguro o monumento no planalto central do país”[1]

Quando Caetano escreveu os versos dessa canção, a princípio sem nome, que posteriormente sob a influência da inovadora obra de Hélio Oiticica receberia o nome de “Tropicália”, o jovem compositor jamais imaginou que a partir de então inauguraria muito mais que um monumento, mas sim um movimento, não tão organizado como diz a música, que revolucionou toda a cultura brasileira.

É justamente bebendo dessa rica fonte que a “Orquidália” vem ocupar a cidade e neotropicalizar as avenidas com uma sonoridade que aposta no ecletismo de influências. Assim como fez Gilberto Gil, ao tocar o boogie-woogie de pandeiro e violão colocando o Tio Sam numa batucada brasileira de frigideira na mão[2], o quarteto floripenho mistura ritmos da música brasileira e latina com o rock, pop e jazz, criando um caldeirão sonoro para falar do que incomoda, mas também para cantar sobre o que faz bem, pois como já nos ensinou a “divina vaca profana” nas palavras de Caetano “respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada”[3]. Colocando seus cornos pra fora e acima da manada a “Orquidália”, que está lançando seu novo EP “Plantas pela Casa”, é força para (r)existir e alegria para celebrar. 

EP “Plantas pela Casa”

Em um momento tão difícil como o que vivemos hoje no Brasil e no mundo, dificuldades que estão para além da pandemia, que parece ter vindo apenas para escancarar problemas mais profundos, a música nos permite valorizar as pequenas, porém mais profundas necessidades humanas. Nesse espírito de reflexão, resistência e celebração, entrevistamos a banda “Orquidália”, a primeira entrevista do blog, uma estreia muito especial, com esse conjunto que traz em suas canções a essência do Tropicalizando-se!

Primeiramente, muito obrigado por aceitarem o convite para essa entrevista. Confesso que o contato de vocês foi uma grata surpresa, pois gostei muito do trabalho e acredito que ele dialoga bastante com o que idealizei ao criar o Tropicalizando-se.

Vocês se apresentaram no primeiro contato com o blog como uma banda neotropicalista. Eu, particularmente, considero o Tropicalismo o mais transformador movimento da música popular brasileira e, porque não, no comportamento de toda uma geração. Na apresentação do blog, eu faço um relato bem pessoal do que considero se “tropicalizar”. Como acredito que “tropicalizar-se” é algo muito pessoal, que se manifesta de uma forma diferente em cada indivíduo de acordo com as suas experiências e vivências, gostaria de saber o que é ‘Tropicalizar-se’ na visão da Orquidália?

Lucas: Tropicalizar-se é uma vanguarda.

Ana: É abrir as portas do céu e se jogar.

Maitê: A essência de se tropicalizar, para mim, vem de ‘misturar’. Coletar muitas referências distintas, permitir-se ousar e não se prender a categorias ou caixinhas simplistas.

A banda é de 2018, bem recente, antes de falarmos do disco em si, falem um pouquinho da história de vocês, de como se conheceram, e como surgiu a ideia de montar a banda.

Lucas: Eu e Maitê somos irmãs e temos bandas juntas há uns dez anos. Tocar junto sempre esteve presente na nossa formação.

Maitê: Quando eu e Lucas nos mudamos pra Floripa, conheci o Simón no curso de Música da UDESC, onde entramos juntas em 2017. Depois de alguns meses, comecei a mostrar umas composições para o Simón e ele topou ensaiá-las com a gente. No começo de 2018, chamei a Ana para tocar umas linhas descompromissadas e ela acabou entrando para ficar. Passamos um bom tempo apenas ensaiando e tocando esporadicamente em eventos na UDESC, até que em outubro de 2018 escolhemos o nome Orquidália e começamos a fazer acontecer.

O EP “Plantas pela Casa” tem uma qualidade musical muito elevada, tanto de produção, quanto de execução, com um instrumental impecável e linhas de vocais muito bem harmonizadas e trabalhadas, parabéns mais uma vez. Como foi o processo de criação e gravação do EP, que acabou de ser lançado em plena quarentena?

Ana: Passamos por uma situação complicada. Fomos expulsas da casa em que morávamos, em plena quarentena. A partir desse episódio, algumas composições foram surgindo. Os nossos planos de lançamento e carreira acabaram sendo revirados e mudamos um pouco as ideias.

Maitê: Eu compus Sanaiavah e percebi que era uma música que precisava ser compartilhada com urgência. Como vi que todes[4] nós tínhamos composições que dialogavam com a situação pandêmica, sugeri pausar a divulgação do Alma Vira Mar (disco full já gravado, que será lançado em outubro) e trabalhar num EP que transmitisse essa urgência que estávamos sentindo.

Simón: Essas composições do EP vieram agora em 2020, pós turnê em janeiro e depois do Carnaval, quando tivemos contato com muitas referências que modificaram nosso fazer musical.

O EP entrou recentemente nas plataformas streaming, vocês têm algum selo por trás? Chegaram a ir atrás disso?

Maitê: Nós temos trabalhado até então de forma full independente. Para este último lançamento, como fizemos tudo em casa, resolvemos criar um selo/produtora, a Contra-Ataque Audiovisual, que basicamente compreende os meus trampos em produção fonográfica e as produções audiovisuais da Ana. A ideia é, aos poucos, expandir e produzir/lançar outros artistas, mas fundamentalmente poder manter nossa própria autonomia criativa e artística enquanto banda.

Um disco gravado, mixado e masterizado todo em casa pelas próprias integrantes da banda realmente não é uma tarefa que qualquer um consegue realizar. Além disso, cada integrante da banda gravou variados instrumentos e fizeram participações nos vocais. Contem mais sobre esta formação musical de vocês.

Ana: Meu instrumento principal é a voz e fui inserida nesse meio bem cedo, com seis, sete anos de idade. Os outros instrumentos eu fui me metendo a tocar. Faço licenciatura em Música na Udesc junto com o Lucas e a Maitê e o Simón também já estudou por lá.

Simón: Minha mãe é musicista, possuía um grupo vocal de mulheres, chamado Andara. Sempre tive conexão com tambores. Me formei no grupo de estudos musicais do Alegre Corrêa. Passei pela Udesc, mas hoje faço Filosofia na UFSC.

Maitê: Comecei a tocar com 14 anos e minha formação, até entrar na graduação em Música, foi basicamente tocar em bandas de rock e me meter em palco, eu e Lucas. Entrar na Udesc em 2017 mudou muita coisa e sem dúvida abriu a cabeça para novas referências e possibilidades musicais.

Lucas: Sinto que o lance é tocar, experimentar novas coisas, novas sonoridades. E, sem dúvida, a Universidade foi muito boa para abrir novos horizontes.

Uma coisa muito interessante é o fato das quatro integrantes da banda morarem juntas. Quando soube disso, logo me veio na cabeça os Novo Baianos que tiveram uma experiência parecida que trouxe excelentes frutos para a música brasileira, com destaque para o álbum “Acabou Chorare”, na minha opinião, um dos principais discos da música brasileira. Gostaria de saber como é essa experiência do convívio diário com a banda. Há quanto tempo isso ocorre ou se foi algo particular do isolamento causado pela pandemia, como isso contribui para o processo criativo, quais os prós e contras nessa experiência.

Simón: Vivemos o sonho, né!

Maitê: Depois da turnê, em janeiro de 2020, eu, Lucas e Ana, que já morávamos juntas, tivemos que nos mudar e foi meio que natural, pelo andar da carruagem, que a gente incluísse o Simón na busca pela nova casa. Passamos a morar as quatro juntas ainda antes da pandemia, pela comodidade de poder tocar quando quiser, maior disponibilidade e liberdade para compor. A quarentena se iniciou em março e acredito que fomos muito felizes em decidir morar juntas. Graças a isso temos conseguido fazer desse período conturbado um tempo criativamente produtivo e tivemos a possibilidade de gravar em casa esse EP.

Esq: Orquidália (foto Maria Clara Barreta). Dir: capa disco “Acabou Chorare” dos Novos Baianos

O movimento tropicalista foi revolucionário, mas não surge do nada. Há abertamente uma influência de diversas vertentes da música brasileira e internacional no movimento, como João Gilberto, Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi, Beatles, Jimi Hendrix, etc, assim como de outros movimentos como o modernista, que teve seu auge na Semana de Arte Moderna de 1922, onde é possível notar uma enorme influência principalmente do Oswald de Andrade na estética tropicalista, assim como do próprio Chacrinha, contemporâneo do movimento. Mais de 50 anos se passaram e muitos outros ritmos e movimentos surgiram. Gostaria de saber quais são as novas influências musicais que uma banda neotropicalista incorpora.

Na última década, aqui no Brasil, tem havido uma efervescência de artistas que fundem música nordestina, latina e brasileira com gêneros historicamente estrangeiros, como o rock. A gente bebe muito desses artistas mais novos, assim como da geração clássica tropicalista, de 50 anos atrás, que inauguraram esses processos de ‘misturança’ composicional. Nesse EP, nomes como Ana Frango Elétrico, Luiza Lian, Teco Martins, Cícero, Caraudácia, Liniker e os Caramellows, Boogarins, Francisco, el Hombre (só pra começar) tiveram bastante peso nas nossas escolhas e caminhos. E os grandes tropicalistas e pós-tropicalistas, como os próprios Novos Baianos, também nos inspiram muito.

Ser artista no Brasil não é nada fácil, ainda mais artista independente. Gostaria de saber como é a cena musical na cidade de vocês. Como estão de espaços para tocar? Esses espaços pagam os artistas? Vocês identificam em Florianópolis uma cena musical consolidada? Sintam-se à vontade para citar outras bandas com as quais vocês realizam uma troca bacana.

Lucas: Em Floripa, temos uma cena emergente sim.

Simón: Temos muita efervescência cultural na cidade, muita gente compondo, mas ainda não temos um cenário bem consolidado, o que faz com que muitos artistas tenham que sair da ilha. Nomes como Dandara Manoela[5], Marissol Mwaba[6], François Muleka[7] e Gui Natel[8], do Caraudácia[9], são alguns exemplos de grandes artistas da ilha que conseguem dialogar com públicos de outros lugares.

Maitê: O Gui inclusive captou e co-produziu o ‘Alma Vira Mar’, que lançaremos em breve. Algumas bandas novas vinham crescendo bastante antes da pandemia, como a Apocalypse Cúier, com a qual já tocamos juntas. Outras bandas como a Trismegisto, Iguanas Tropicais e Los Desterros também vinham ocupando novos espaços. Não temos na cidade um número muito grande de casas de show que recebam o circuito independente autoral e com a crise do corona, várias (das poucas que existiam) tiveram que fechar as portas recentemente. Então, temos um cenário incerto pela frente, mas ainda assim com muita gente produzindo e resistindo. A gente recomenda muito o trampo de dois colegas da graduação em Música na UDESC: o Riccieri Luis[10], que lançou um EP incrível durante a quarentena, e o David Toledo[11], que lançou há pouco um dos discos mais legais produzidos por aqui nos últimos tempos.

Mudando um pouco de assunto, hoje em dia é muito difícil falar com alguém e não aparecer na conversa o assunto do cenário político atual. Muitos artistas têm dificuldade de se posicionar, muitas vezes por receio de fecharem portas por conta disso, ao mesmo tempo há outros que se colocam no front de batalha contra os inúmeros retrocessos que estamos vivendo. O single “Mátria Amada”, lançado por vocês no começo do ano, é uma canção muito contemporânea que traz à tona muitas dessas questões políticas em efervescência na nossa sociedade. Falem um pouco dessa canção e de como a Orquidália enxerga esse cenário político atual e o papel da cultura nesse contexto.

Simón: Essa música fez a gente mudar de nome, mudar os caminhos, tudo mudou. O som, a estética, as temáticas.

Maitê: Sem dúvida, Mátria Amada é um divisor de águas na nossa trajetória artística. Nesse ambiente que vivemos, repleto de conservadorismos se sentindo legitimados, a arte é, mais do que nunca, uma importante ferramenta de provocação, de crítica, de reflexão. Acreditamos muito na música como catalisadora de revoluções pessoais e, consequentemente, sociais.

Simón: Sinto que vivemos em um momento cultural onde é muito necessário ouvir todas as culturas que foram negadas. Dar voz para a expressão de novas formas de viver, de se organizar, de lidar com o convívio com os outros, consigo mesmo, até a forma de se alimentar. Buscar novas formas de viver a realidade.

A última música do EP de vocês, “Odoyá”, que é uma das minhas preferidas, é uma linda homenagem à Iemanjá. O nome da canção de cara chamou minha atenção pois me considero um “Ateu Wicca macumbeiro”, filho de Xangô, Iansã e protegido pela Grande Deusa! A questão da religiosidade de matriz africana é muito forte na música brasileira, com músicas lindíssimas fazendo referências a elementos presentes nessas religiões. Como é essa questão da religiosidade entre vocês, como ela influencia nas composições e postura da banda?

Simón: Odoyá fala muito sobre “omnism”, ou seja, toda religiosidade toca a espiritualidade e cada cultura fala disso de uma forma diferente. Cada matriz, seja africana, nórdica, indígena, hindu, vai estar mexendo nesses arquétipos que, em minha visão, são comuns a todos os povos. Todos falam sobre a natureza, sobre o místico, sobre o que vai além da realidade cotidiana. Para mim, a espiritualidade vai da contemplação da natureza, dos processos de vida e morte. Odoyá é sobre contemplar a morte, seja biológica, seja de processos da vida. A religiosidade e a filosofia lidam com isso, com aprender a lidar com a morte. Estar do lado da praia, do mar, também aumenta essa inspiração, além das referências de diversos artistas que tem abordado esses sincretismos, como Luiza Lian e Teco Martins.

Para encerrar essa entrevista, gostaria de saber um pouco mais sobre as referências de vocês no campo das artes e política. Citem um artista, um intelectual e um político que vocês sentiriam muito orgulho de terem presentes num show da Orquidália, pode ser alguém já falecido.

Depois de um brainstorm, chegamos nos seguintes nomes: como intelectual a Djamila Ribeiro, por trazer questões sociais, falar de feminismos e racismo. Seria muito interessante tê-la num show nosso, considerando o teor de nossas temáticas. Como figura política, pensamos na Marielle Franco, que em vida foi uma figura importantíssima e tão atuante que incomodou certos homens do poder. Seu legado deu muita união a diversos movimentos sociais e inspiração e motivação para muitas de nós. E, como artista, escolhemos alguém que de certa forma se encaixa nas três categorias, que é Gilberto Gil. Admiramos muito sua obra e seria realmente fantástico tê-lo em uma apresentação nossa.

Esq: Djamila Ribeiro. Centro: Marielle Franco. Dir: Gilberto Gil

Nessa quarentena muitas pessoas têm aproveitado para colocar a leitura e os filmes em dia. Que livro, filme ou série vocês indicariam para os fãs da banda?

Estamos assistindo Brooklyn 99, uma série que fortemente recomendamos. Apesar de ser uma comédia, ela trata de temas como racismo, sexismo e lgbtfobia de uma forma didática e acessível. Como livro, recomendamos Oráculo da Noite, de Sidarta Ribeiro. Escritor brasileiro, da capoeira, tenta pensar a evolução a partir dos sonhos, a partir da função neurológica dos sonhos. Fala sobre unir o conhecimento científico ocidental com a sabedoria dos povos originários, tirando essa pretensão da ciência de achar que ela tem propriedade sobre as coisas. Sidarta discute como as ciências têm que organizar os saberes de uma forma que todos ganhem com isso. O conhecimento científico ganha com a sabedoria dos povos originários e vice-versa, porque, muitas vezes, eles não se contradizem, mas sim trazem linguagens diferentes. E, por fim, recomendamos como filme Bacurau, por ser uma produção brasileira, que pega uma estética norte-americana, uma estética de faroeste, e cria uma metáfora em cima disso. Fala de imperialismo, de colonização, fala sobre como a América Latina é vista pelos olhos norte-americanos. Como um objeto não-identificado.

Muito obrigado pela entrevista! Espero que tenham gostado! Mandem um salve para os fãs e como as pessoas podem ficar sabendo das novidades da banda.

Somos bastante ativas no instagram e no twitter, sempre postando nossas novidades por lá. No insta é @instadaorquidalia e no twitter é @oiorquidalia. Também estamos no facebook e youtube, só jogar Orquidália nas buscas, além das redes de streaming, como o spotify, deezer, etc. Queremos agradecer pelo espaço para mostrar um pouco das nossas ideias, para além das músicas. Gostamos bastante da conversa e esperamos que as leitoras e leitores também tenham curtido esse papo. Desejamos luz, força e também paciência, nesses dias de isolamento. Mandamos boas energias para todes e esperamos poder prosear novamente, no futuro. Grande beijo!

Para acompanhar e saber mais da banda:

https://www.facebook.com/facedaorquidalia/

https://www.instagram.com/instadaorquidalia/


[1] Música “Tropicália” de Caetano Veloso.

[2] Referência a música “Chiclete com Banana” de Gilberto Gil.

[3] Trecho da música “Vaca Profana” de Caetano Veloso.

[4]  O uso do termo ‘todes’ dialoga com o  “Manifesto Ile Para Uma Comunicação Radicalmente Inclusiva”, disponível em: https://diversitybbox.com/pt/manifesto-ile-para-uma-comunicacao-radicalmente-inclusiva/

[5] Link Spotify https://open.spotify.com/artist/1lh8s7gXcq7nXaidv3OMt3

[6] Link Spotify https://open.spotify.com/artist/3lQz5wScc7Njw8d2nLD88A

[7] Link Spotify https://open.spotify.com/artist/5KZmSICYyJfFS1lqcF771A

[8] Link Spotify https://open.spotify.com/artist/6YJmZNI4aGBpRXTpTyxJuY

[9] Link Spotify https://open.spotify.com/artist/1vu3qf8zFnnbxp002ZVG7Y

[10] Link Spotify https://open.spotify.com/artist/4kv4sbxhQ4YDVL2C9k8dXW

[11] Link Spotify https://open.spotify.com/artist/6KavhjZJdMjtLZD9n4D846

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